ELEIÇÕES 2010 E REDES SOCIAIS

1 08 2010

Isso vai dar certo?

Como eleitor… acho ótimo! Teremos acesso a informações sobre quem é, o que faz e principais objetivos. Vídeos e fotos mostrando a verdade, o que foi feito, o que não ficou apenas no papel. Questões sendo respondidas, gerando debates e esclarecendo muita coisa.

Como estrategista acho que as mídias sociais aqui no Brasil ainda são imaturas. Para se achar um profissional nesse segmento, precisa entender o que faz. Entender o cliente, entender o mercado e, principalmente, entender as ferramentas que estão trabalhando em paralelo. Mas vejo que qualquer sobrinho do proprietário da empresa está cuidando da sua conta nas redes sociais, sem ao menos saber interagir com o público, gerar conteúdo ou mensurar os resultados do que anda aplicando.

Os políticos estão nessa vibe também. Ou pagam (e muito bem) para uma pessoa fazer o seu papel nas redes sociais (sem saber ao menos o que se está sendo falado sobre a sua pessoa), gerar um conteúdo que ele manda e nem sabe a razão de estarem trabalhando aquilo… ou usam eles mesmos a ferramenta, sem qualquer treinamento, sem saber o enorme estrago que podem causar. Não querem interagir, não estão preparados para os comentários negativos, para responder os cidadãos, nem sabem como funciona cada ferramentinha inclusa ali dentro.

Cadê o planejamento, a interatividade, o conteúdo útil, a preparação?

Não adianta querer copiar a campanha de Barack Obama, a cultura de participação dos americanos é diferente da cultura dos usuários daqui. Qualquer deslize de 140 caracteres pode afundar uma campanha de meses, pode denegrir uma imagem relativamente aceitável que o político conseguiu construir durante anos.

Pelo que estou acompanhando, os candidatos estão participando das redes sociais nessas eleições só para falarem que possuem esse diferencial, para falarem que conseguem atingir mais pessoas, que estão usando da tecnologia e blá, blá, blá… Mas esquecem de começar esse ‘capítulo’ em sua campanha com antecipação, para irem cativando as pessoas, gerando conteúdo positivo, dando motivos para seguirem o seu perfil e conseguirem um número de seguidores para valer a pena toda aquela manifestação digital. Em 3 meses de campanha na internet é quase impossível persuadir o eleitor, provar que você pode fazer muita coisa considerável, fazê-lo entender que vale a pena aquele voto.

Eles esquecem que o internauta de hoje só lê e participa do que quer…

Li um post deveras engraçado no Blog do Marketeiro Rodrigues que dizia assim: “No início do ano fiz algumas previsões sobre o que aconteceria em algumas áreas relacionadas à política. (…) Previ que os candidatos a cargos públicos iriam até jogam Colheita Feliz para fazer a média com o povo, mas os presidenciáveis Serra e Dilma foram além: dançaram Rebolation no carnaval de Salvador”. Completando a idéia, o Blogcitário postou: “Espero que surjam idéias tão inovadoras quanto o Yes, we can. Desde que elas não sejam um mero retweet do sucesso norte americano”.

Esse post foi meio turbulento, sem uma direção, acabei de acordar, pô! Fiquei pensando nesse assunto porque 2 candidatos me fizeram propostas para cuidar das redes sociais deles, não aceitei e passei esse freela para outros colegas de profissão, também não aceitaram. Isso quer dizer alguma coisa, né? Dei também uma entrevista para o ‘Revista de Sábado’, da Tv Tem expondo tudo isso também, ainda não foi ao ar. Mas deu pra sacar que eu não sou muito a favor dessa manifestação hoje. Espero que isso tudo sirva de ‘laboratório’ para as pessoas planejarem com antecedência, serem criativos e inovadores, mobilizarem as pessoas em torno de uma causa, gerarem discussões em torno das propostas políticas, não se limitarem às mídias sociais, não gerarem spam, não atacarem os concorrentes e, principalmente, espero que nas próximas campanhas políticas na internet, esse povo aprenda a monitorar, pesquisar, acompanhar, interagir e não ter medo de responder o internauta.

Como são mais de 50 milhões de pessoas usando a internet hoje no país e, um pouco menos da metade é formada por eleitores, ainda não me conformei depois que vi tanta baboseira sendo produzida para campanhas políticas em 2010.

Fora que, não adianta atirar pedras nos políticos apenas, a maioria dos twitteiros é o jovem que cresceu com a vida web. O perfil desses jovens ou é extremamente avesso à política, provocando ofensas, brincadeiras de mau gosto e até mentiras sobre o candidato que não gosta OU o jovem leva muito a sério a política e defende fielmente os objetivos do seu candidato, tornando-se massante e causando a revolta dos seus seguidores, por muitas vezes. É como religião, gosto musical, opções futebolísticas… quem não gosta vai contra, gera um buzz inconsequente e pode até criar um viral negativo, o que pode levar ao fim de uma campanha que tinha tudo para dar certo.

A entrevista que dei ao programa Revista de Sábado, da TV Tem, está AQUI.

Eleições 2010 nas Redes Sociais por Camila Adriane, Vitor Bellote e Julio César

Ah, candidatos. Se não sabem brincar, não desçam no play! #ficaadica

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